sexta-feira, 1 de maio de 2009

sei lá...

Às vezes me sinto estranha como se não pertencesse a nada e a ninguém a quem sei pertencer. De uma hora para outra eu me sinto num abismo distante de tudo o que é real. Nem sequer consigo definir meus sentimentos, talvez seja a ausência deles. O fato é que me sentir vazia é algo constante na minha vida, pelo menos uma vez por semana me sinto assim como se fosse buscar em outro plano um pouco mais de força pra continuar vivendo aqui. Nem sei se o que digo aqui faz algum sentido pra quem ler. No mínimo vão me achar louca, mas é assim mesmo que me sinto: LOUCA! Tenho medo dessa falta de alguma coisa que não sei bem o que é, na verdade eu não sei nem um pouco o que essa secura quer dizer e também não sei como agir diante disso. Depressão? Já procurei o médico ele disse que sim. Falta de Deus? Já procurei o padre e ele diz que sim. Ando pensando em procurar um centro espírita, mas minha mãe diz que é pecado. Sei, num sei como, mas sei que vou viver assim até o dia em que vou parar e perceber que a vida é isso mesmo e que nem tudo tem explicação. Não que eu viva procurando explicação pras coisas, mas é que às vezes sinto necessidade de ter alguma direção e é justamente nessas horas que me vejo sem ninguém que possa dizer algo que me faça acreditar em alguma coisa, seja lá o que for. Agora por exemplo, num acredito em nada, só sei que to viva por sinto uma cólica que não me deixa esquecer. Vou tomar café.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O amor


O amor é uma mulher
Uma mulher que está lá fora vestida de preto
Que quase pintei de rosa e azul
Colorido aqui só nosso louco amor
Que se pintou com as cores do arco íris
No aconchego de uma metade igual
Despachei-me do bem e do mal
Sem juízo abusei do que é mais forte
Fui além e abusei da sorte
Sem querer
mas, como sempre faço
Sai querendo teu abraço.

fui eu quem quis!



Quem nunca quis mudar?
Mudar de faculdade, mudar de cidade, mudar de namorado?
Ou simplesmente mudar a cor do cabelo ou a cor do esmalte... Largar a rosa clarinho e usar um vermelho fatal?
Alguns podem falar que é falta de personalidade seguir a moda... Mas todo mundo segue! Tem gente que enche o peito e diz: “eu não sou alienado eu tenho personalidade própria!”, só por que alguém resolveu ouvir a musica do momento. E se eu gostar de seguir a moda e se eu gostar de ouvir a música que todo mundo gosta, embora não queira dizer nada. E daí? O que os outros têm com minhas escolhas?
Tem gente que faz pose de “cult” só pra dizer que entende alguma coisa, eu sou o que sou e pronto! Escuto forró, uso óculos da moda e adoro usar aquele vestido que todo mundo tem, meu cabelo vive na chapinha e nem por isso sou um robô, só gosto de comprar! Sempre que tenho dinheiro consumo, consumo o que preciso e também bens supérfluos... É natural. Todo mundo faz isso. O que muita gente acha ser alienação, e digo que em alguns casos realmente é, penso ser opção. Aquelas pessoas que levam um estilo de vida mais alternativa, que são mais ligados ao estilo “simple life” também são ditadas por certo modismo. Modismo é um termo que insisto em questionar. Para certas pessoas esse palavra implica falta de personalidade, uma massa levada por uma ideologia de nada, que nada tem a acrescentar na vida das pessoas, mas esquecem que se sigo uma determinada tendência é porque em alguma coisa ela se parece comigo, ninguém me obrigou a consumir determinado produto. Há, se tirei meus cachos é porque eu quis! Alguém tem alguma coisa contra?... Bem, então era só isso que queria dizer!

domingo, 7 de setembro de 2008

Impressões.


Não quero aqui tentar decifrar a violência em sua essência, até porque seria necessário um estudo bem mais aprofundado. O que quero passar aqui são relatos que nos levam a conhecer um pouco mais a vida nas favelas da capital cearense, em especial ao Serviluz.
Num dia ensolarado chego ao Titãzinho conhecido em toda a cidade por ser um ponto de encontro dos amantes do surf. Olho o mar que parece estar mais verde do que nunca e lá estão eles, os surfistas. Aproveitando as belas ondas eles parecem se sentirem livres de qualquer medo. Mais adiante em baixo de um pé de castanhola (bem eu acho que é castanhola) rapazes fumam seus cigarros e falam sobre futebol e surf (nada mais normal do que se falar nesses assuntos em rodas de rapazes). Enquanto isso mulheres passam pelas ruas arrastando seus filhos enquanto outras crianças circulam sozinhas como se estivessem sem rumo, sem donos.
Ao caminhar pelas ruas do Serviluz percebo que a vida corre no curso normal de qualquer outro lugar. As pessoas vivem suas vidas aparentemente sem muitas preocupações. Converso com algumas pessoas que afirmam gostarem de viver aqui e dizem que a especulação da mídia em relação à violência no bairro é maior do que ela é de fato, “O povo pensa que aqui todo mundo é bandido”, como afirma D. Neusa, moradora do bairro há muitos anos. Já sua filha D. Maria de Jesus, mas que prefere ser chamada de Dijé, diz que se pudesse já teria saído daqui com toda sua família. , pois não suporta mais a violência, ela mesma já foi assaltada três vezes em sua lojinha que fica em frente a sua casa de onde tira o sustento de sua família. D. Neuza rebate o argumento da filha e diz que não é porque aqui acontece assalto que podem dizer que é um lugar ruim porque se for assim nem um lugar em fortaleza é bom. Segundo ela os maiores assaltos acontecem na Aldeota, bairro de gente rica. Percebi ai que a questão da violência é sentida de forma bem diferente em um mesmo contexto.
Quando chega à tarde, na padaria da esquina da casa de D. Dijé vende uma tapioca deliciosa que é servida na casa dela com um café fresquinho, de repente a casa se enche de gente que parece sentir o cheiro do cafezinho de longe e todos comem numa boa. Quando vai chegando à noite as ruelas e os becos vão se enchendo de gente que vão e vem de seus trabalhos. Lá em baixo da arvore que pela manhã servia de ponto de encontro dos amigos agora serve de abrigo pras barracas de batatinha frita que algumas senhoras vendem para complementar a renda em casa.
A violência não parece ser o que rege a vida das pessoas daqui, mas o que percebi de mais violento nesse contexto todo foi a violação do direito ao sonho. Crianças que vejo sem rumo, crianças e adolescentes que não tem expectativa de vida diferente das de seus pais, uma forma de acomodação inserida no psicológico dos mais velhos e que por falta de oportunidades está se transformando na realidade dos mais jovens também.
Há, também, embora poucos, exemplos de pessoas que tiveram tudo para dar errado e deram certo como é caso de Tita Tavares, nascida no Serviluz conseguiu se destacar no surf e ganhar diversos prêmios inclusive o de campeã brasileira no circuito WQS de 2000. O que falta para que os jovens daqui deixem de entrar cada vez mais cedo na criminalidade, são oportunidades. Oportunidades de estudar principalmente.
Por fim gostaria de dizer que as maiores impressões que vivi aqui, penso que isso se aplica a qualquer comunidade, é que é formada por gente comum, sem necessariamente se aplicar a historinha de mocinhos e bandidos.

Apenas Histórias.

Eu não gostava de inverno, principalmente das manhãs de inverno. Por diversas vezes eu acordei com pingos de água caindo e perfazendo todo o contorno do meu rosto ainda quente. Chovia e no telhado logo acima da rede em que eu dormia tinha uma goteira por onde passava as gotas de água que me faziam despertar dos sonhos.
Dormir pra mim naquele tempo era uma maneira de fugir da realidade, eu não dormia apenas porque tinha sono, eu dormia pra esquece, eu dormia pra sonhar.
Durante toda minha adolescência vivi com fantasmas do passado. Lembrava das brigas dos meus pais, do medo que tinha quando cada discussão começava porque sabia que minha mãe ia sair machucada de cada uma delas.
Recordo da última, antes da minha mãe decidir fugir. Que dia maldito e ao mesmo tempo foi o começo de uma vida menos triste.
Meu pai batia na minha mãe na minha frente, como ele era cruel! Eu tinha apenas seis anos. Ele se virou pra mim em meio as pancadas que dava na minha mãe e disse que a mataria. Nunca esqueço aquelas palavras, aquele olhar de ódio que ele demonstrava e o pavor na expressão da minha querida mãe que já nem tinha tantas forças pra lutar. Como sofri com medo naquele dia. Aquele homem nem parecia ser gente, parecia mais um bicho feroz. Ele disse olhando pra mim que a mataria e foi até cozinha pra pegar uma faca, ele realmente ia matá-la. Ela fugiu pela janela do meu quarto que dava pra rua. Nem posso imaginar o que se passou na cabeça dela naquele momento, só sei que daquele dia em diante ele nunca mais tocou um dedo na minha mãe. Fomos morar com minha avó.
Por uma boa parte da minha infância eu fui feliz, brinquei, aprontei como uma criança qualquer, mas os momentos de profunda tristeza que passei ecoavam mais fortes e se refletiram na minha adolescência, fase onde surgem as maiores dúvidas e inseguranças de qualquer pessoa.
Lembro-me com clareza que ficava horas chorando atrás da porta, alguns diziam que eu era louca como minha bisavó, outras diziam que foram os traumas que me deixaram assim. Escutava tudo, mas fingia que não era comigo.
Essa altura da minha vida, já tinha uns 12 ou 13 anos e minha mãe trabalhava como confeiteira em fortaleza e eu e meus irmãos ficavamos com meus avós aqui em Uruaú. Foi um tempo tão difícil, meu avô pescava e o pouco que pegava mal dava pra a alimentação... Minha mãe mandava um dinheirinho que dava pra comprar o leite dos meninos, mas também era só isso.
Tudo passou e hoje sou alguém que sonha e que não se sente vitima de nada. Todas as experiências que passei tanto as boas quantos as tristes serviram pra que eu amadurecesse cedo e passasse a dar mais valor ao que tenho, não falo de coisas matérias, mas os bens mais preciosos da minha vida, a família e os amigos.
Pessoas especiais passaram por minha vida e me ajudaram a superar algumas lembranças que gostaria de esquecer, minha família que apesar de complicada me ama, eu sei. Vivi a adolescência de uma maneira conturbada, mas os amigos dessa época são meus amigos até hoje e foi por eles e por minha família que superei todos os traumas e desilusões e se um dia eu chorei atrás da porta como uma menina indefesa foi por eles que lutei e sorri novamente!

Até que enfim...

Passados alguns dias, acho que um mês, da criação do meu blog resolvi, meio que sem ânimo, que tenho que escrever algo afinal pra quê o criei? Bem, não sei muito bem por que resolvi escrever no blog, mas acho que foi porque está todo mundo fazendo isso e não quero ser diferente da maioria e porque apesar de escrever muita coisa “sem noção” as pessoas, ou melhor, alguns amigos, gostam do que escrevo. Acho que a partir de hoje, quando eles começarem a ler meu blog diariamente eles mudaram suas opiniões, vou correr esse risco!
Na verdade não gostaria de escrever sobre acontecimentos significativos, tratar de problemas sociais ambientais, catástrofes... Essas coisas, mas penso que vou usar esse espaço aqui pra falar sobre mim e das pessoas que têm alguma história relacionada à minha, as que amo ou que odeio, embora essa última categoria de pessoas não seja assim tão significativa quanto a números. Ah! Vou ver se escrevo também das pessoas que sinto indiferença, talvez precise dar segmento a algum fato. Enfim vou escrever sobre gente, seja lá o que for.
Já li alguns blogs. Prendi-me em poucos, talvez ninguém vá se prender no meu, mas de qualquer forma pode ser proveitoso nas noites de insônia, que costumam ser freqüentes, principalmente nos fins de semana aqui em Uruaú.
Trocar a noite pelo dia já é de praxe quando se tem um dia ocioso, ainda mais quando se sabe que vai ter uma madrugada inteira pra fazer os contatos com a galera pela net.
Entre meia noite e quatro da manhã são os horários que encontro as pessoas mais interessantes, rola umas conversas legais sobre assuntos que me agradam como, por exemplo, “meter o pau” na faculdade, claro quando digo “meter o pau”, é no bom sentido. Vou tentar explicar. Eu faço faculdade de jornalismo e a faculdade que estudo, assim como toda empresa com fins lucrativos e alto teor capitalista toma algumas decisões que eu e meus colegas julgamos ser arbitrarias e muitas vezes abusivas como a questão das disciplinas online sem um conteúdo eficaz e um sistema falho que foi o motivo da nossa ultima discussão com a faculdade. Sempre que isso acontece, nós os alunos-clientes vamos lá ao céu, como é denominada carinhosamente a direção acadêmica da faculdade, para bater um papo e reclamar com argumentos fundamentados, das decisões que não apoiamos. Falar sobre como vamos fazer isso é que eu digo “meter o pau” como vocês leram não é bem “meter o pau” é só reclamar, um direito nosso. Bem a madrugada é um ótimo momento pra se discutir esse tipo de coisa, por incrível que pareça.

Quando digo que na madrugada se encontra pessoas interessantes não falo só das pessoas que mantenho contato pessoal não. Acesso muitas vezes sites de relacionamentos e gosto, embora já tenha negado algumas vezes.
Navegando nesses sites conheço gente com historia que me prende ou simplesmente fatos incomum na minha vida.
Outro dia acessando o badoo, um site de relacionamento tipo o Orkut, conheci uma tal de linda, uma mulher que se dizia espanhola. Pois bem, essa senhora (digo senhora por que ela já devia ter uns 60 anos) depois de alguns minutos de conversa disse que tinha visto minhas fotos e achou que eu era bonita e tal... Fiquei meio sem saber o que dizer, mas ela foi logo pedindo pra eu ligar a web cam, é claro que disse não.
Depois ela me abriu o jogo, disse que agencia meninas interessadas em ganhar uma grana, prostituição. Segundo ela, os clientes da Europa vêm para Brasil e já querem sair de lá com companhia certa e pagam caro por isso. Desculpei-me e disse que não era a minha praia. Ela insistiu, disse que eu ia ganhar uma boa grana e que ela faria uma avaliação de quanto eu valia. Meu Deus! Outra hora escrevo sobre o que passou na minha cabeça naquele momento, a princípio, só vou dizer que me senti uma mera mercadoria, ninguém sabe qual seria o valor, nem quis pagar pra ver.
A senhora, depois de muito insistir, acabou se convencendo de que eu não ia fazer aquilo. Tentei ao máximo não ficar chocada, mas fiquei pensando durante dias que aquilo devia ser um grande esquema de prostituição e que merecia ser investigado. Acabei nem ligando mais.

Bom, depois conto outras histórias. Valeu por ter lido o que escrevi e volte sempre que quiser ou nas noites de insônia se não tiver nada melhor pra fazer e quiser passar por aqui fique a vontade. Até a próxima postagem.